Já faz vários meses que a Google começou a mover a maquinaria para fazer a transição definitiva para a arquitetura de 64 bits no Android. Os aplicativos desenvolvidos para sistemas de 32 bits são problemáticos por precisarem tornar todo o software compatível com dispositivos antigos, mas tem um problema maior em tudo isso: em agosto de 2021 já não poderão mais ser baixados via Google Play os aplicativos de 32 bits que não tenham migrado o código para 64 bits, o que afetará centenas de milhares de jogos que por diversos motivos não darão o salto. Mas não há nada a temer, já que a Uptodown seguirá hospedando e permitindo o download de apps de 32 bits em dispositivos de 64 bits sem nenhuma restrição após essa data.

32 bits vs 64 bits

Sem entrar em detalhes excessivamente técnicos, é claro que um software desenvolvido desde o começo para arquiteturas de 64 bits permite aproveitar muito mais os recursos de hardware do sistema. Isto significa para o desenvolvedor uma infinidade de vantagens na hora de oferecer aplicativos mais seguros e tecnicamente avançados, já que o fato de usar pacotes de compatibilidade com sistemas de 32 bits provoca diversas limitações no próprio aplicativo. Não é a mesma coisa desenvolver um jogo que aproveite ao máximo o hardware onde roda se comparado a uma adaptação para um sistema com potência muito inferior, tendo que fazer malabarismo em nível de programação para tirar o máximo só para alguns aspectos isolados do app.

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Mas realmente, qual a diferença entre um processador 32-bit e outro 64-bit? Entre outras coisas, a diferença de capacidade na hora de realizar operações lógicas. Um bit é um valor binário que pode ser 1 ou 0, então uma CPU capaz de trabalhar com registros de 32 bits permitirá armazenar 4.294.967.296 valores diferentes (2 elevado a 32 possibilidades), enquanto que um de 64 bits chegará a (respira fundo) 18.446.744.073.709.551.616 valores (2 elevado a 64). Ou seja, um processador pode armazenar quatro bilhões de vezes mais que o de 32.

Mas as melhorias não ficam apenas na força bruta, já que os aplicativos de Android não têm essas necessidades todas de cálculo. Na realidade, o principal de tudo isto é que eliminando os 32 bits da equação ficamos com um ecossistema Android mais robusto e unificado, reduzindo tempos de testes e custos de desenvolvimento, sem falar em um melhor suporte, bibliotecas mais eficientes e, no geral, uma redução na complexidade dos aplicativos. Afinal, tudo gira em torno de poder migrar por fim do padrão ARMv7 para ARMv8 na fabricação de chips mobile com a segurança de que o software estará totalmente preparado para esta mudança.

A data limite marcada pela Google

Desde o Android 5.0 Lollipop, os aplicativos são compatíveis com esta arquitetura, e já então a Google avisou que cedo ou tarde aconteceria “a mudança”. No começo de 2019, a companhia traçou uma rota a ser seguida pelos desenvolvedores:

  • A partir de 1 de agosto de 2019, todos os novos apps ou atualizações devem incluir uma versão de 64-bits para poderem ser publicados no Google Play, mas a limitação poderá ser estendida um pouco mais em caso de usar SDKs específicos: Corona Labs (agosto 2020), Adobe Air (agosto 2020) e Unity 5.6.7 ou superior (agosto 2021).
  • A partir de 1 de agosto de 2021, não será possível baixar pelo Google Play nenhum aplicativo que não inclua suporte para arquiteturas de 64 bits, então serão baixados os de 32 bits apenas em dispositivos com essa mesma arquitetura.

Uptodown continuará dando suporte aos apps de 32 bits

Apesar da Google oferecer vários guias e métodos assistidos para facilitar as coisas para os desenvolvedores com a migração de código, o certo é que muitos deles não vão resolver facilmente. Dependendo do ambiente de desenvolvimento, linguagem e bibliotecas utilizadas para criar o aplicativo, tornar o código compatível com arquiteturas de 64 bits pode ser uma tarefa trabalhosa, tanto em nível de desenvolvimento como econômico. O que isto quer dizer? Quer dizer que Google Play poderia se tornar um cemitério de jogos que não puderam ser atualizados e que, assim, não poderemos baixar para nosso dispositivo Android, a não ser que ele use arquitetura de 32 bits. E não estamos falando necessariamente de relíquias. Qualquer jogo publicado antes de 1 de agosto de 2019 no Google Play poderia ser afetado se não incluísse compatibilidade com 64 bits.

A efeitos práticos, realmente todos os aplicativos seguem sendo compatíveis com todo tipo de dispositivo, por mais que Google imponha suas restrições, e de fato, inclusive se de alguma forma o próprio sistema operacional Android introduzir algum tipo de limitação na hora de executar apps de 32 bits, seguiríamos tendo a virtualização e emulação para poder usar. Não vamos nos enganar, existe toda uma campanha midiática em favor da arquitetura de 64 bits, sendo quase maior o interesse comercial do que tecnológico. Nós não lutamos nessa guerra, e por isso não vemos necessidade de defendê-la.

Dado que Uptodown é um repositório que preserva e armazena todas as versões anteriores de um aplicativo sem nenhuma restrição de hardware para o usuário, todos os apps que de forma voluntária não decidam realizar a migração, seguirão estando disponíveis em nossa plataforma de forma indefinida, ao menos até o dia apocalíptico que todos os aviões comecem a cair do céu e haja um colapso tecnológico. De forma similar ao que vimos com o bug do milênio, ainda temos pela frente o ano 2038.

O que acontece em 2038 com o software de 32 bits?

O sistema para contar os segundos em arquiteturas de 32 bits tem como data de início 1 de janeiro de 1970 às 00:hh:hh UTC. Como falamos no começo do post, uma arquitetura de 32 bits é capaz de trabalhar com números de 32 bits, ou seja, 4.294.967.296 valores diferentes. Apesar destes valores poderem ser tratados como números positivos, também podem ser usados para armazenar negativos (as variáveis unsigned, então passados os 2.147.483.647 segundos, o valor armazenado se reiniciaria. E sabe quando chega esse número de segundos contados a partir de 1 de janeiro de 1970?? Isso mesmo, em 19 de janeiro de 2038.

Obviamente, com tantos anos pela frente, é muito improvável que este problema afete serviços importantes. Há vários anos Microsoft, Apple e Google estão migrando todo seu software a novas arquiteturas, e eventualmente os 64 bits também serão coisa do passado. Ainda assim, no âmbito tecnológico já sabemos que tudo é questão de tempo, e que a realização de mudanças profundas nos padrões tecnológicos imperantes pode demorar muitíssimos anos se a própria sociedade de consumo não apoiar.

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